Apresentação

Luís Enrico Lima, 22 anos, estudante de Direito na Universidade Federal do Piauí desde 2019.

Estudei durante quase toda minha vida no Instituto Dom Barreto, escola a qual serei eternamente grato pela formação e bagagem cultural adquirida. Ao terminar o Ensino Médio, me deparei com uma grande dificuldade: que curso escolher? Qual curso seria a minha cara? Afinal, esta é a pergunta que se faz qualquer indivíduo que está a um passo da universidade. O meu maior desejo sempre foi morar fora, especificamente em São Paulo, fazer um curso como Publicidade e Propaganda e ganhar a vida com as possíveis surpresas que apareceriam na trajetória. Mas nem tudo são flores. Falta de apoio familiar, suporte financeiro e emocional me fizeram estar onde estou hoje, minha cidade natal, Teresina, Piauí. O curso de Direito na UFPI se tornou a "sobra mais aceitável", ainda mais numa cidade onde centenas de jovens acabam fazendo o curso de Medicina "por amor" (atualmente basta ter uma boa condição financeira e genitores que lhe incentivem para poder traçar a carreira médica). 

Não fiquei muito triste e nem mesmo rancoroso pela ideia de ter que ficar na mesma cidade onde nasci e fazer um curso que não era a minha 1ª opção porque o curso de Direito me possibilitou uma nova visão sobre muitos aspectos da vida. Sei que ainda não sou 1/10 do ser humano que gostaria de ser, mas com certeza sou bem melhor do que era na época da escola. Vejo, por experiência própria, que uma escola particular  não é em essência capaz de formar seres humanos, seres com empatia e com conhecimentos úteis para a vida (pelo menos não sozinha). Passar nas provas da escola infelizmente não vai lhe passar na grande escola da vida, pois é a leitura, a compreensão de como funcionam as coisas e o intercâmbio saudável de ideias que possibilitam a formação de um ser humano. Seguindo essa linha, é inevitável que eu confesse que saí da escola um grande ignorante, sem saber de absolutamente nada do funcionamento do meu do meu país, pregando o ódio em pautas sociopolíticas e divulgando notícias midiáticas falsas, alarmantes e incompletas.

Em essência, o que mais consigo lembrar de adquirir durante o tempo escolar? Bullying, cultura do "sou melhor que você", classificações de plantas esquisitas, tipos de relevo da China, fórmulas decorebas de equilíbrio de gases, entre diversas outras inutilidades ou desprazeres da vida. Por outro lado, a escola não ensina o básico de Direito Constitucional, das leis do nosso país ou do funcionamento das nossas instituições. Quantas vezes você já assistiu ao Jornal Nacional e o William Bonner trouxe alguma decisão ou pauta importante tratada pelo Supremo Tribunal Federal? A questão é que, no meu caso, só descobri o que é o Supremo Tribunal Federal e o seu papel no Estado em que vivemos há cerca de apenas 3 anos atrás, quando ingressei no curso de Direito. É interessante um cidadão de 18 anos terminar o Ensino Médio sem entender absolutamente nada do funcionamento do país em que vive, imaginando, por exemplo, a Constituição Federal como um papel solene e distante da vida terrestre, para ser usada somente como citação vaga na redação do Enem. 

Com essa reflexão, não quero aqui destacar a inutilidade da escola ou pregar o ódio ao ensino brasileiro, mas sim ressaltar que é irônico decorar o gráfico climático da África do Sul, mas não entender o papel do Ministério Público no sistema de justiça brasileiro. É exatamente por isso que costumo dizer que já valeu muito a pena ter ingressado no curso de Direito. 

A caminho do 6º período do curso, o meu maior interesse despertado até agora foi em matéria de Direito Penal e de Direito Processual Penal, isto é, o Direito que trata do âmbito criminal. O caminho ainda é longo, oportunidades poderão surgir, a realidade da vida profissional ainda não veio à tona e, portanto, é óbvio que este interesse ainda poderá mudar. 

Deixo essa apresentação reflexiva como o primeiro registro desse apanhado.

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